Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005

EBDA pesquisa mel de abelha-sem-ferrão

Uma pesquisa para caracterização de mel de abelha-sem-ferrão, segundo a sua origem, e determinação de metais pesados na sua composição, está sendo realizada pelo Laboratório de Análises de Produtos de Abelha (Lapa), da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. (EBDA). Esse trabalho visa subsidiar o laboratório com informações mais precisas sobre as abelhas-sem-ferrão e vai permitir a montagem de um banco de dados que subsidiará uma proposta de certificação de méis dessas abelhas, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).


A pesquisa está sendo conduzida por Marcos Luciano S. de Ferreira Bandeira, pesquisador da empresa e também doutorando do Instituto de Química da Ufba, que vem utilizando o material estudado para subsidiar a sua tese de doutorado junto à universidade. Com o tema Caracterização de Mel de Abelhas-sem-ferrão (Melíponas), Utilizando Ferramentas Estatísticas Multivariadas, a tese de Marcos Bandeira será defendida no próximo ano, no próprio Instituto de Química.


“Sem o apoio da EBDA não seria possível a realização da tese, muito importante para a caracterização dos méis dessas abelhas, quase que desconhecidos cientificamente, mas de grande importância na cultura popular brasileira pelas suas qualidades medicinais”, comentou.


Sobre a pesquisa, Marcus informou que a mesma é composta de duas linhas, sendo a primeira para a caracterização do mel, por região, e a segunda para o desenvolvimento de um método analítico para determinação dos metais pesados (cádmio e chumbo).


“O mel produzido pelas abelhas é um importante indicador de poluição ambiental e os dados obtidos servirão para avaliar se existe alguma contaminação por  estes elementos nas regiões analisadas”, esclareceu.


Para atender à primeira linha do trabalho, já em desenvolvimento, estão sendo coletadas amostras de mel, visando estabelecer características específicas para cada região produtora. “Este trabalho vai permitir a identificação da origem geográfica do mel analisado, ou seja, se o mel em questão corresponde  realmente à região informada pelo apicultor ou comerciante”, explicou o pesquisador.


O Raso da Catarina,  na região de Paulo Afonso, foi a primeira área visitada. “Vale ressaltar que nessa localidade os méis (Apis melífera) estão sendo produzidos pela comunidade indígena Pankararé, a qual também vem sendo assistida em diversos aspectos socioeconômico pela  EBDA”, explicou. Outra região de estudo é a da Mata Atlântica, cujo início dos trabalhos está previsto para janeiro/2006, e abrange todo o litoral baiano. As demais regiões produtoras também serão pesquisadas, posteriormente, de forma a traçar um panorama global dos méis de todo o Estado da Bahia.


Segundo a chefe da Central de Laboratórios da Agropecuária (CLA), à qual está ligado o Lapa, Maria Clarice Vasconcelos Dias, “até o momento não existem parâmetros para méis dessa espécie de abelha devido a grande diversidade de espécies”, comentou. Acrescentou que, só no Brasil, existem em torno de 400 espécies “e estamos trabalhando na identificação das espécies do nosso Estado”, acrescentou.


O presidente da EBDA, Joaquim Santana, informou que o laboratório de mel, além de atender à pesquisa, presta serviços à comunidade através de análises de qualidade para certificação de mel. “Este trabalho facilita a comercialização do produto não só no Estado mas também no país, pois torna-o mais competitivo devido à garantia de qualidade assegurada por um laboratório de competência”, concluiu.


Os trabalhos realizados com abelhas, pela empresa, faz parte do programa Pater Apicultura, desenvolvido pela EBDA/Seagri em parceria com a Secomp (Secretaria de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais).


 

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