Uma
pesquisa para caracterização de mel de
abelha-sem-ferrão, segundo a sua origem, e
determinação de metais pesados na sua composição,
está sendo realizada pelo Laboratório de Análises
de Produtos de Abelha (Lapa), da Empresa Baiana de
Desenvolvimento Agrícola S.A. (EBDA). Esse trabalho
visa subsidiar o laboratório com informações mais
precisas sobre as abelhas-sem-ferrão e vai permitir
a montagem de um banco de dados que subsidiará uma
proposta de certificação de méis dessas abelhas,
junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa).
A
pesquisa está sendo conduzida por Marcos Luciano S.
de Ferreira Bandeira, pesquisador da empresa e também
doutorando do Instituto de Química da Ufba, que vem
utilizando o material estudado para subsidiar a sua
tese de doutorado junto à universidade. Com o tema
Caracterização de Mel de Abelhas-sem-ferrão (Melíponas),
Utilizando Ferramentas Estatísticas Multivariadas,
a tese de Marcos Bandeira será defendida no próximo
ano, no próprio Instituto de Química.
“Sem
o apoio da EBDA não seria possível a realização
da tese, muito importante para a caracterização
dos méis dessas abelhas, quase que desconhecidos
cientificamente, mas de grande importância na
cultura popular brasileira pelas suas qualidades
medicinais”, comentou.
Sobre
a pesquisa, Marcus informou que a mesma é composta
de duas linhas, sendo a primeira para a caracterização
do mel, por região, e a segunda para o
desenvolvimento de um método analítico para
determinação dos metais pesados (cádmio e
chumbo).
“O
mel produzido pelas abelhas é um importante
indicador de poluição ambiental e os dados obtidos
servirão para avaliar se existe alguma contaminação
por estes
elementos nas regiões analisadas”, esclareceu.
Para
atender à primeira linha do trabalho, já em
desenvolvimento, estão sendo coletadas amostras de
mel, visando estabelecer características específicas
para cada região produtora. “Este trabalho vai
permitir a identificação da origem geográfica do
mel analisado, ou seja, se o mel em questão
corresponde realmente
à região informada pelo apicultor ou
comerciante”, explicou o pesquisador.
O
Raso da Catarina,
na região de Paulo Afonso, foi a primeira área
visitada. “Vale ressaltar que nessa localidade os
méis (Apis melífera) estão sendo produzidos pela
comunidade indígena Pankararé, a qual também vem
sendo assistida em diversos aspectos socioeconômico
pela EBDA”,
explicou. Outra região de estudo é a da Mata Atlântica,
cujo início dos trabalhos está previsto para
janeiro/2006, e abrange todo o litoral baiano. As
demais regiões produtoras também serão
pesquisadas, posteriormente, de forma a traçar um
panorama global dos méis de todo o Estado da Bahia.
Segundo
a chefe da Central de Laboratórios da Agropecuária
(CLA), à qual está ligado o Lapa, Maria Clarice
Vasconcelos Dias, “até o momento não existem parâmetros
para méis dessa espécie de abelha devido a grande
diversidade de espécies”, comentou. Acrescentou
que, só no Brasil, existem em torno de 400 espécies
“e estamos trabalhando na identificação das espécies
do nosso Estado”, acrescentou.
O
presidente da EBDA, Joaquim Santana, informou que o
laboratório de mel, além de atender à pesquisa,
presta serviços à comunidade através de análises
de qualidade para certificação de mel. “Este
trabalho facilita a comercialização do produto não
só no Estado mas também no país, pois torna-o
mais competitivo devido à garantia de qualidade
assegurada por um laboratório de competência”,
concluiu.
Os
trabalhos realizados com abelhas, pela empresa, faz
parte do programa Pater Apicultura, desenvolvido
pela EBDA/Seagri em parceria com a Secomp
(Secretaria de Combate à Pobreza e às
Desigualdades Sociais).